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Em MG, 41% dos professores das particulares já foram agredidos ou ameaçados por alunos
No Estado de Minas Gerais, 41% dos professores da rede paritcular de ensino reclamam que já foram agredidos ou ameaçados por alunos pelo menos uma vez.
Este é um dos destaques de uma pesquisa realizada para mapear as condições de saúde e trabalho dos docentes da rede privada de ensino mineiro e divulgada ontem (28). Foram entrevistados 2.500 professores numa parceria entre sindicatos de profissionais da educação e MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).
Entre os pesquisados, 92,84% alegam sofrer cansaços físico e mental. Ainda segundo a pesquisa, há uma associação direta entre o número de alunos em sala de aula e a possibilidade de o professor apresentar problemas de saúde, como rouquidão e dores de cabeça. Um dos maiores motivos de afastamento na categoria, segundo os entrevistados são dores nas pernas.
Educação como comércio
Para o presidente do Sinpro Minas, Gilson Reis, a "mercantilização da educação" traz impactos negativos nas condições de trabalho e saúde dos docentes. "A escola privada está se transformando cada vez mais em um ambiente em que o aluno é tratado como cliente e a educação como comércio, o que tem trazido implicações na qualidade da educação", afirmou.
De acordo com a pesquisa, para 82,58% da categoria, a exigência de cumprimento de prazos é o principal motivo que torna o ambiente institucional ameaçador. Já a principal causa de desgaste entre os docentes encontra-se na relação direta entre aluno e professor, com 40, 25% das respostas. "Eles [os empresários da educação] preferem lotar a sala de aula a dividir as atividades entre dois professores. Sempre tem aquela pressão e opressão, tanto em nível psicológico, quanto em nível de produção", disse a professora universitária Rose Guerra, que teve um acidente vascular cerebral em decorrência do estresse laboral.
Mulheres ganham menos
A pesquisa analisou ainda questões de gênero. No Estado, a renda média das professoras é cerca de 30% inferior à dos professores. Já na região metropolitana, esse cenário de desigualdade permanece, mas o percentual de diferença cai para aproximadamente 24%.
"Podemos inferir que isso se deve ao fato de que há diferenças de salários por titulação e há mais homens que mulheres tituladas atualmente em nossa categoria. Também há o fato de que as mulheres se dividem entre a jornada doméstica e a da escola, o que faz com que, em média, tenham uma menor carga horária de aulas", avalia Maria das Graças de Oliveira, uma das pesquisadoras ponderando que os resultados merecem uma análise mais aprofundada, com o objetivo de tomar as medidas adequadas para mudar essa realidade.
Segundo a pesquisa, o risco de uma professora da região metropolitana sofrer algum tipo de acidente ou doença do trabalho é cerca de 2,2 vezes maior em relação a um professor.
*Com infornmações do Sinpro Minas
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