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No Brasil, o ensino privado é um dos ramos mais promissores de investimento de capitais com um grande número de escolas particulares que vendem todos os tipos de cursos, do pré-escolar ao pós-universitário. Mas este mercado tem seus limites e, nos últimos anos, acentuaram-se as tendências da mercantilização e desnacionalização do setor através de processos de fusão, compra de estabelecimentos, redução do número de agentes que atuam no ramo, falências e concentração em poucas empresas.

Esta expansão do ensino privado trouxe nefastas consequências para as condições de trabalho dos docentes. Pesquisa realizada, entre 2000 e 2002, no Distrito Federal demonstrou uma intensificação do trabalho em escolas privadas. Mais de 60% dos professores avaliaram: a) que seu trabalho hoje é mais intenso do que à época em que começaram; b) que a empresa/escola exige hoje polivalência, versatilidade e flexibilidade; e c) que o ritmo e a velocidade do seu trabalho hoje são maiores que anteriormente e que as cobranças de resultados também são maiores.

Segundo Sadi Dal Rosso, no livro Mais Trabalho, o ensino privado apresenta frequentes casos de jornadas de trabalho inauditas, cuja duração só conhecemos menção no auge da Revolução Industrial. Com a especificidade do pagamento do docente por horas-aula, a questão das longas jornadas é um problema para os professores do Brasil inteiro.

Entre os professores da rede privada, o aumento da carga de trabalho acontece normalmente mediante a atribuição de mais turmas, o que implica horas de trabalho dentro de sala de aula e fora dela na preparação de aulas, correção de trabalhos e provas, orientação de alunos, etc. Dessa maneira, os professores chegam a compor cargas semanais inconcebíveis em outros ramos: "mais responsabilidade e atribuições e projetos para serem acompanhados, maior número de aulas à noite, em colégio e faculdade".

Portanto, diante desta situação de exaustão provocada pelo excesso de trabalho e cobrança, a questão do calendário único, implicando férias coletivas, recessos de final de ano e julho, concomitantes nas redes pública e privada se tornam imperativos para a recomposição física, emocional dos docentes e, consequentemente, beneficiando a qualidade do ensino.





 

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